Aposentados não são mais campeões em dívidas

Os aposentados com mais de 65 anos estão conseguindo pagar suas dívidas e já não ocupam mais o topo da lista de inadimplência. Segundo relatório do SPC Brasil, que leva em consideração o mês de setembro, eles representam apenas 9,03% do total de endividados do país, ante 27,7% de março. A queda, nesses 7 meses, foi de 18%.

O principal motivo para esse cenário chama-se empréstimo consignado. O número de empréstimos em agosto foi de R$ 3,576 bilhões – 10% superior a julho e 33% maior que em agosto de 2012. “É muito comum a pessoa usar o crédito para pagar as contas, já que a taxa de juros é menor”, fala o gerente financeiro do SPC, Flávio Borges.

A antecipação da primeira parcela do 13.º salário, feita entre os dias 26 de agosto e 3 de setembro, também tem colaborado com a quitação das dívidas. De acordo com o Ministério da Previdência, mais de 26 milhões de aposentados foram beneficiados e R$ 12 bilhões foram injetados na economia nos meses de agosto e setembro. Mas nem todos os vovôs e vovós estão tranquilos.

A aposentada Rosalva Pi­­nheiro, que completa 65 anos no ano que vem, se endividou por causa de um vizinho. “Ele estava com problemas no trabalho e pediu empréstimo de dinheiro para viajar para Portugal”, relata. A experiência dele não deu certo e, três meses depois, estava de volta, mas sem o dinheiro.

Como o vizinho foi embora, sem pagar toda a dívida – que está em R$ 6 mil –, Rosalva terá de arcar com ela sozinha. “A antecipação do 13.º da aposentadoria vai me ajudar e também estou negociando uma nova proposta com o banco”, relata.

Rosalva emprestou o nome dela e este é um dos principais motivos que levam à inadimplência entre os aposentados. “O idoso, muitas vezes, é a única pessoa com renda comprovável. Por isso, muitos familiares e amigos usam seu nome para realizar empréstimos”, diz o consultor em previdência privada e pública, Renato Follador.

Vilão ou mocinho?

Mas o principal vilão é o crédito consignado, que nesse momento está disfar­­çado de “mocinho”. Para a juíza de direito, Sandra Bauerman, coordenadora do Projeto de Tratamento de Superendividamento do Consu­­midor, do Tribunal de Justiça do Paraná, esse tipo de crédito é concedido fácil demais. “Os bancos não analisam a capacidade financeira do aposentado e ele não é informado claramente sobre como o empréstimo vai afetar sua vida”, diz. O aposentado Carlos Foti, por exemplo, foi assediado pelos bancos. “Ligaram uma, duas, três vezes de vários bancos. Na quarta, não aguentei mais e falei alguns palavrões”, relata.

Futuro

O gerente do SPC Brasil, Flávio Borges, acredita que o cenário atual será mantido. “Isso se os idosos ‘estancarem’ por completo esse endividamento. Caso aconteça, a tendência é que a alta taxa registrada no início do ano não se repita”, estima.

Fonte: Gazeta Online

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